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6 de maio de 2014

A 'minha Guerra Colonial' - os tais des-encantos

escrevi em tempos um breve testemunho sobre  'isto' , na página do meu AB 4- base aérea de Henrique de Carvalho, onde passei 'só' 34 meses. Castigo severo, mas tb uma lição que nunca esquec: nos bons e maus momentos.
Aqui reporto-me só ao 'Fecho da Base' e suas peripécias, tendo sido escrito a pedido de um velho amigo. là está há mts meses no Facebook dos que passaram pelo AB4. Reza assim:

'O fechar de portas no AB4 foi antecedido na realidade de inúmeros ‘factos’ que à distância nos (me) arrepiam ainda. Não serei propriamente um traumatizado de guerra, mas ficaram ‘slides’ a P&Branco que, embora incómodos, podem ser revelados hoje sem qualquer dificuldade..
Em 12Junho de 75 foi de facto o despertar para um ‘fim’ que se sabia calendarizado, mas não tão rápido e violento. A cidade foi varrida programadamente por quase 30 horas de ‘guerra civil’ e nos dias/semanas seguintes as noites eram escuras – fora da Base - e tracejadas por morteiros e projecteis que vistos de longe assustavam. Descolar e aterrar eram contudo rotinas sem grandes condicionantes. Impressionava.
Pessoalmente a minha noite de 12/13Junho e todo o resto do dia, foi passado deitado no interior de uma banheira de casa de banho, pois ‘fui apanhado ‘ em plena cidade e pude refugiar-me numa das casas que a F.Aérea ali tinha (Bairro). Horríveis 30 horas, pois não se adivinhava o que estaria a acontecer em redor. Só uma operação feita por Comandos do M.Ex. nos evacuou para o Ab 4.
A destruição, com mortos à mistura (a maioria dos 3 ‘movimentos’ envolvidos), era imensa e foi aí a debandada dos civis para perto dos ‘aviões’ na ânsia de sair e de ter mais (aparente) protecção.
A enfermaria da Base parecia um bloco operatório, - porque não uma morgue - aonde chegavam também feridos de outras localidades. Era um caos absoluto. Talvez dos locais mais assustadores, quando se olha para trás. 

Um comandante da Fnla, recordo, apareceu em maca, consciente, com um grande ‘buraco’ num dos ombros, tapado com uma rolha de papel…São imagens que não saem.
As ‘oficinas’ da Base tinham como única missão fazer ‘caixotes ‘ em madeira, em 1º lugar para envio de haveres dos civis e militares da Base, para Luanda e depois via marítima da Portugal. Depois outros foram feitos para amigos e fornecedores do AB4. Eu próprio acompanhei a feitura de alguns. Também devo ‘confessar’ , neste contexto, que consegui que alguns amigos da Base ‘transferissem ‘ legalmente algum dinheiro via Agencia Militar para Lisboa. Como? Utilizando autorizações do COMRA2, a autoridade aérea em Angola, de militares e civis que não possuíam o ‘total’ que lhes era autorizado. (Em Lisboa em Setembro , andaria por 
cá em contactos e viagens fazendo a distribuição,  ; dias depois e por essa altura a Agencia Militar ‘falirá’, é o termo. Houve ruptura absoluta, que só foi (seria) reposta suponho que em Dez/ desse ano. Os valores médios transferidos eram de 30/50 contos à época).
Em H Carvalho, entretanto, para quem tinha assuntos administrativos/bancários/escolares…foi muito complicado. Recordo ter ido em princípios de Agosto, ao Banco de Angola, junto do Pinto e Irmão visar um cheque de 130 mil contos, do AB4, - saldo apurado na conta corrente-liquidação para entregar em Luanda), em 2 jeeps e havia ‘gente armada’ e tiros avulsos em sítios diversos. O comércio estava fechado, quase literalmente. Um susto perfeito, que nem nos filmes.
A cozinha da Base era grande …mas pequena para tentar alguma ajuda aos ‘civis’ acampados nas redondezas. O total de militares em Agosto não andaria pelos 50. Não registei nomes nem números, porque na realidade ‘todo o mundo queria cavar’ e do outro lado da linha havia uma mensagem no ar: “nem mais um militar para as colónias”.
Agora a sinopse desta ‘photo abaixo.

 Nas noites, um pouco frescas de Agosto, reuníamos e petiscávamos noite dentro à volta da ‘fogueira’. Gin, whiskie, Casal Garcia e cerveja havia em quantidade e cozinhávamos na cozinha da Base. A fotografia foi feita junto dos alojamentos de ‘oficiais’ e lá está o Maj. Fermeiro, eu próprio, todos sempre à civil o que não deixava de ser um hábito. Lembro ainda que a luz mesmo dentro do AB4 faltava muitas vezes assim como a água…
Pena não haver – penso que ninguém teve essa preocupação – um a fotografia de ‘família’.
No verso desta ‘dita’  abaixo escrevi à mão “ Um final feliz…”
Talvez.



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