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19 de fevereiro de 2007

frágil, e com razão...

Com a devida vénia transcrevo, por não ser possível 'linkar', o seguinte texto de Dolores Garrido(in Educare) que considero uma 'adenda' à minha carta aberta.

"Apetecia-me repetir: estou frágil, sinto-me frágil… embora não queira ficar mais frágil. E muito menos dar ar de frágil. Estou frágil, porque deparo, em aulas de substituição, com alguns alunos que preferiam não fazer nada (e em alguns casos era bem melhor ficarem no recreio para libertarem energias) e tenho de arranjar forças para os convencer do contrário. Frágil, porque não sei se devo, se posso, se quero concorrer a professor titular. Porque já desempenhei diferentes cargos na escola. Porque quero dar aulas. Porque não sei quem vai avaliar. Porque muitas vezes a palavra oportuno é uma versão light do oportunismo. Porque compreendo os colegas com vontade e direito de se afirmarem na carreira, e que não sabem em que patamar vão ficar e se quem deveria seguir pela escada vai subir mais depressa de elevador. Porque, como também diz a cantiga, é triste a sensação de ficar a perder.
Frágil, porque nunca fui de faltar e sempre ouvi que os professores eram todos uns faltosos. Frágil, porque, como os programas e os tempos mudam, continuo a sentir necessidade de estudar, de preparar matérias, de programar actividades, de corrigir trabalhos e, muitas vezes, isso é esquecido. Esquece-o quem determina e esquece-o a sociedade quando se espanta pelo facto de o professor estar ocupado fora das aulas. Como se todos pensassem que o professor tem o dom de chegar à sala de aula e abrir uma torneira donde jorra trabalho feito. Ou, então, que é um computador que armazena e actualiza dados automaticamente.
Estou frágil, porque gosto dos meus alunos, mas fico triste perante a displicência. Vejo-lhes no rosto (não sei ler na mão, embora às vezes desse jeito) que coabitam com muitas fragilidades: familiares, educativas, sociais, económicas… Sinto-me frágil, quando alguns alunos desperdiçam fortes capacidades enquanto outros, que nada esbanjam, infelizmente não as têm. Ou quando estudam afincadamente e com sucesso, tendo ainda tempo para participar activa e alegremente em actividades extra-curriculares e, mesmo assim, são incluídos no grupo dos jovens da cauda da Europa, para quem a escola não representa bem-estar.
Frágil, quando alguns alunos dizem que o Padre António Vieira viveu no século XIX, Almeida Garrett, no século XV… E voltamos atrás. E repito. E lemos textos. E vemos filmes. E fazemos visitas de estudo. E falamos. E escrevemos. E também nos rimos. E ligamos saberes do passado a realidades actuais para que o fio condutor seja mais longo e mais macio. E, mesmo assim: ai professora, pois é, já não me lembrava… Mas são eles que utilizam, nas aulas, o carrinho multimédia sem engano e com precisão. Sabem o significado de cada fio, de cada tecla, de cada botão…
Sinto-me frágil, porque é grande o cansaço à nossa volta. E irritabilidade. E vulnerabilidade. E mistério perante o enigma que é o futuro. Futuro que está a chegar e não se sabe como é nem como vem.
Frágil, porque tudo é frágil, embora isso seja cada vez mais natural.
Preciso de estímulo, de espaço, de tempo, de força… Ou melhor, precisamos. Para vencer toda esta fragilidade. Esta forte fragilidade."

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